segunda-feira, 10 de abril de 2017

HORROR! Chechênia estabelece campo de concentração para LGBTs



Autoridades da Chechênia, uma região da Rússia, estabeleceram campos de concentração para LGBTs, afirma o jornal Novaya Gazeta. De acordo com denúncias de grupos defensores dos direitos humanos, mais de 100 homens gays foram detidos “em conexão a sua orientação sexual não-tradicional, ou suspeitas disso”. Uma dessas prisões estaria num quartel na cidade de Argun.

Svetlana Zakharova, membro do grupo de ativistasdenunciou para o jornal MailOnline: “Gays estão sendo presos e levados à força. Nós estamos trabalhando para retirar as pessoas desses campos de concentração. Homossexuais estão fugindo da região. Aqueles que já conseguiram escapar dessas prisões nos contaram que ficaram encarcerados num mesmo cômodo com outras 30 ou 40 pessoas. Eles são torturados com choques elétricos e espancados, às vezes até a morte.”
Russian LGBT Network,
Um dos prisioneiros que conseguiu escapar relatou que foi submetido a “interrogatórios” violentos, durante os quais policiais chechenos tentavam fazer com que ele fornecesse nomes e endereços de outros gays. As autoridades também confiscaram seu telefone celular, e perseguiram pessoas presentes em sua lista de contatos, fossem elas homossexuais ou não.
De acordo com o jornal The New York Times, gays que vivem na região estão apagando seus perfis em redes sociais, pois policiais estão utilizando perfis falsos para convidá-los para encontros e então prendê-los.
A Chechênia é uma região predominantemente muçulmana. Seu presidente, Razman Kayrov (foto), um aliado de Vladimir Putin, foi quem supostamente ordenou a perseguição a LGBTs. A resposta oficial do regime é negar essas ações, afirmando que “é impossível prender ou reprimir um tipo de pessoa que não existe na república. Se essas pessoas existissem na Chechênia, as autoridades não precisariam se preocupar com elas, pois seus próprios parentes as mandariam para lugares de onde jamais retornariam.”
A sociedade chechena é extremamente conservadora, o que significa que parentes de LGBTs desaparecidos não costumam pressionar as autoridades; pelo contrário, as vítimas provavelmente já foram abandonadas por seus familiares. Além disso, fazer esse tipo de denúncia é extremamente perigoso: “hoje em dia, poucas pessoas se atrevem a falar com jornalistas ou ativistas dos direitos humanos, mesmo que anonimamente”, lamenta Tanya Lokshina, membro da ONG Human Rights Watch em Moscou. “O clima de medo é palpável. Registrar qualquer tipo de reclamação contra a polícia local é extremamente perigoso, pois a retaliação das autoridades locais é praticamente inevitável.”
“É difícil superestimar a vulnerabilidade de pessoas LGBT na Chechênia, onde a homofobia é intensa e desenfreada”, continua Lokshina. “LGBTs correm risco não apenas de serem perseguidos pelas autoridades, mas também de tornarem-se vítimas de ‘assassinatos para lavar a honra’, realizados por seus próprios parentes.”
O estopim para as detenções foi uma ação do grupo de ativistas GayRussia.ru, de Moscou. Seus membros pediram autorização para realizarem paradas do orgulho LGBT em cidades por toda a Rússia, e estavam recolhendo as respostas negativas dos governos, para então apresentar uma denúncia para a Corte Europeia de Direitos Humanos, em Estrasburgo, na França. Nikolai Alekseev, um dos ativistas, explicou para a Novaya Gazeta que a organização escolheu essa tática por ser menos arriscada que fazer paradas sem autorização.
O pedido feito pelos ativistas em quatro cidades em Kabardino-Balkaria, uma região próxima à Chechênia, também muçulmana, desencadeou a reação antiLGBT do governo. A fim de cooptar os islâmicos extremistas, Putin deu o comando da região para líderes muçulmanos extremamente conservadores. Os meros pedidos para uma parada LGBT fez com que as autoridades chechenas decidissem fazer uma “varredura profilática”, procurando e prendendo homossexuais que vivem no armário. “É claro que nenhum deles havia demonstrado sua homossexualidade em público de qualquer maneira”, denuncia o Novaya Gazeta. “No Cáucaso, isso significaria uma pena de morte”.

Do  Uol

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