quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Crônicas atalaienses – O dia em que Chico Malta deu uma de advogado‏

Por volta dos anos 90, Atalaia do Norte gozava de grandes espetáculos futebolísticos feitos pela Liga Desportiva em campos e quadras da cidade. A gestão pertencia, na época, ao nobre vascaíno, Arnaldo Justino Pires, que deixou imensas saudades.

Em uma tarde ensolarada na pacata Atalaia, mais precisamente na antiga Quadra da Mangueira, estava acontecendo um jogo importante entre Flamengo e Palmeiras. A torcida pedia a entrada do jogador Francisco Moreira de Melo, conhecido como Chico da Marica, pois o atleta poderia resolver a partida a favor do Flamengo atalaiense. Só havia um problema, dois jogadores estavam bagunçando na beira da quadra e os juízes entenderam que o Chico da Marica era o grande causador daquela baderna.

O saudoso Arnaldo Pires, olhou para o Chico e disse: 





- Você não vai entrar! Você está bagunçando toda a partida. Se você insistir, vou te dar uma suspensão imediata!

Chico da Marica não obedeceu a ordem do presidente da liga e respondeu imediatamente com má-criação:

- Eu vou entrar! O senhor não manda em mim!

Chico da Marica entrou... Passaram-se os dias e numa segunda-feira, seu nome estava exposto no mural da liga onde dizia que a partir daquele dia, o atleta Francisco Moreira Melo estava suspenso de suas atividades futebolísticas por um mês. Assim, Chico da Marica foi avisado e tinha apenas 48 horas para recorrer. Foi quando se apresentou Francisco Gomes Ferreira, o conhecidíssimo Chico Malta, dizendo que iria representar Chico da Marica, junto ao tribunal desportivo atalaiense.

Malta afirmou ao réu sobre sua vasta experiência em defesa dos desfavorecidos:

- Chiquinho, meu querido, eu posso resolver esse caso, basta eu mexer os “pauzinhos”. Só peço que confie em mim!

Na quarta-feira pela noite, como de costume, havia sempre uma reunião na sede da liga. Aproveitaram a ocasião para realizar a sessão para decidir a situação do caso “O bagunceiro Chico da Marica”.
Então, Chico Malta, em posse de uma pasta preta, disse ao seu cliente, que a sua defesa já estava pronta e garantiu que a absolvição era certa. Malta entrou na sala e passou meia hora articulando. Saiu com um papel na mão, que todos imaginaram que fosse a decisão.

Malta falou para o Chico da Marica:

- Meu caro Chiquinho, não lhe trago boas notícias. Tentei de tudo, e não pude convencer os juízes deste tribunal. A pena que era de um mês, aumentou para seis meses, podendo chegar a um ano, se você insistir no assunto!
Isto aconteceu em Atalaia do Norte, meus caros!

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