Prisão de Wallace gera satisfação, diz advogado
Recém filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o ex-deputado estadual Francisco Balieiro se prepara para uma possível disputa eleitoral pela nova sigla. Em entrevista a A CRÍTICA, o juiz aposentado e atual advogado do ex-deputado Wallace Souza, relata suas experiências em dois mandatos - como prefeito de Tabatinga (1993-1997) e parlamentar -, faz uma breve análise sobre o cenário político para o próximo pleito, além de mostrar indignação com o que classifica de “injustiça” praticada contra Wallace.
Quais sãos os seus planos políticos para 2010?
A minha candidatura é uma possibilidade.
Por que o senhor ainda não tem certeza?
Minha candidatura a deputado estadual hoje depende muito da opção que a Vanessa (Grazziotin, pré-candidata ao Senado) vai fazer. Se, porventura, o Eron (Bezerra) continuar como deputado estadual e a Vanessa como deputada federal, o que vai definir (se saio candidato) são as alianças. Se, numa hipótese, o PCdoB fizer uma aliança com o PMDB para deputado estadual, eu não vou disputar a eleição. Porque não tenho condições de enfrentar as máquinas eleitorais dos candidatos do PMDB, quase todos eles alicerçados nas igrejas, assistencialismo e TV. Reconheço que não teria condições em enfrentar o que na eleição passada me tomou um mandato. Eu era o único deputado do PMDB, dei apoio ao governo, quando chegou o momento das filiações, vários deputados oriundos desses segmentos se filiaram ao PMDB. Eu fiquei sem solo, porque não me preparei para disputar eleição com essas pessoas e sim com iguais a mim. Se for assim agora, seria o mesmo panorama.
Qual foi a sua principal ação como deputado estadual?
Fui o relator do projeto e o autor da emendas que estabeleceram as cotas na UEA (Universidade Estadual do Amazonas). O projeto inicial enviado para a ALE consistia em reservar 80% das vagas aos estudantes que estivessem cursado o 2º grau nas escolas do Amazonas. Mas entendemos que aqui também tínhamos que estabelecer um critério para os indígenas. Eu diria que na ALE se a única coisa que eu tivesse feito fosse aquilo, estava plenamente satisfeito. Isso nos impulsiona a voltar à vida pública. Embora, eu saiba que, devido a política, o raio de ação do deputado estadual é sempre muito pequeno.
A que o senhor se refere?
Sempre falaram muito no sistema. O Amazonino (Mendes) falava no sistema que elege os candidatos. E o pior de tudo é que o sistema implantado por ele persiste e está totalmente enraizado. O sistema funciona fazendo convênio com as igrejas e as igrejas escolhem alguém. Se ele (parlamentar) não seguir os interesses da igreja, na outra eleição estará fora. A mesma coisa acontece com as ONGs. E o deputado que está lá tem que ser fiel ao governo. O pessoal da mídia também. Esse sistema funciona em favor daquele que estiver no poder. Se um candidato do PSTU se elegesse governador do Estado, no outro dia ele teria maioria na ALE. Qual seria essa maioria? Os deputados que representam esses segmentos: igrejas, ONGs, rádios e TVs. Isso faz com que o cenário se feche para novos nomes que queiram furar isso.
Há possibilidades de mudança?
Isso não muda enquanto a sociedade não abrir os olhos. Te dou um exemplo: o Carlos Alberto (PMN), que está no segundo mandato, representa a Igreja Universal. Antes dele, teve o Mourão. No desempenho do mandato, o Mourão não correspondeu às expectativas da igreja. Então, trocaram a peça, mas quem elegia continuava sendo o mesmo segmento. Ele (Carlos Alberto) não está exercendo ali uma função outorgada livremente pela população, mas por determinadas amarras.
Na Câmara Federal também tem a mesma forma de disputa?
Silas Câmara veio de onde? Igreja. Carlos Souza? Mídia. Sabino Castelo Branco? Mídia. Rebeca Garcia? Mídia. Então, temos 50% da bancada federal vindo desses mesmos mecanismos. Quem batalha aqui voto por voto? (Francisco) Praciano, Vanessa (Grazziotin), Marcelo (Serafim), Átila Lins.
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