Causos e Estorita de Benjaminense - Com os burros n'água

Os burros n'água | O TEMPO
Foto: Internet

No interior é terrível, todo mundo tem apelido. Quando menos você espera seu apelido cai na boca do povo, mesmo você não gostando. E se ficar “Puto”, pior ainda, ai que ele vai lhe acompanhar pro resto da vida.
Em Benjamin Constant, temos vários conhecidos que tem apelidos curiosos, colocado desde o tempo de menino e assumiram o lugar do nome próprio. Dentre estes, podemos citar: ”mandim”,  “zé bodó”,  “zé preguiça” e outros que se a gente for botar no bico do lápis, passa dias de “pau infiado” contando.

Um desses personagens morava no antigo bairro de Coimbra, quase na “ilharga” do antigo do antigo Campus Avançado. Era famoso por seus roncos à noite, que podiam ser ouvidos pra lá da antiga ponte da escola Cel. Raimundo Cunha. Falo do sapota, apelido que ninguém em B.C. tinha coragem de pronunciar diante do seu Raimundo (o roncador), pela reação violenta que ele manifestava, por não gostar desse apelido. Seu Raimundo tão alto que seus vizinhos mau podiam dormir.Pena que várias pessoas dessa época já cruzaram o rio: Abdias,Pedro baladeira, Seu Lima...Mas pode perguntar pro Seu Hamilton, a D. Cirene que eles podem servir de testemunha.

Certa vez um trabalhador da INCOM estava devendo a taberna do Seu Raimundo e evitava até passar pela frente do estabelecimento comercial com medo da filha dele, pois a mesma era muito braba. Um dia, ao perceber que a filhas do comerciante não tava na taberna, resolveu aumentar o fiado, pois Seu Raimundo era gente boa e com certeza ia negar a venda.

Pois bem, ao entrar na taberna, todo “mufino” e meio sem jeito, tenta perguntar o preço do kilo do açúcar. Nisso aparece a filha do Seu Raimundo e o caboco fica nervoso, suando frio e quase tem um chilique, mesmo assim, gaguejando, cria coragem e pergunta:

-Seu açúcar...quanto é o quilo da sapota?

E Seu Raimundo muito puto:

Oia a língua ,fio de uma égua!

Extraido do Livro: Causos e Estorita de Benjaminense (2007, vol. 01)
De: Gerson Luzeiro e Ruy Magalhães

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