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Em um sábado por volta de uma
hora da tarde, momento em que não se vê nem um cachorro na rua e ocasião em que
todo mundo resolve fechar as portas e tirar um cochilo depois da “broca”,
tradição nas cidades do interior, o patchó resolve fazer uma visita inoportuna
ao meritíssimo juiz de3 direitos da comarca de BC. Chegando na casa da
autoridade, com vista meio escura do sol forte depois de dar uma “pernada”
da COHABAN até o centro, bate na porta pra fazer uma reclamação:
- Toc, toc, toc-senhor juiz- disse ele.
O juiz levanta ainda ressaqueado
de uma festa que aconteceu no clube 21 de abril, na noite passada, e responde:
- Quem é que está aí?
-Sou eu, Artur Fortes, o Patchó!
O juiz abre a porta e dá de cara
com o Patchó, cansado, de língua pra fora e bastante suado.
-O que foi Patchó, o que
aconteceu pra você vir neste horário, em pleno sábado, me apurrinhar?
-Meritíssimo, eu vim prestar
queixa de um acontecimento desagradável em minha propriedade.
- Então diga, meu jovem! Morreu
alguém? Sequestraram algum
familiar seu?
- meritíssimo, furtaram meu
“galinaço”!
-Meu querido, tenha dó! Você vem
me acordar em pleno sábado à tarde só pra dizer que roubaram seu galo? –vá
embora e não me perturbe mais!
O magistrado bate a porta e volta
para continuar sua soneca. O Pathó vai saindo, não satisfeito com a resposta do
doutor juiz, pensas em voz alta e resolve voltar.
-Não, isso não pode ficar assim
não.
-Toc, toc, toc- mais uma vez ele
bate.
O Juiz estava quase pegando no
sono de novo, pula da cama e vai bufando rumo à porta. Ele abre novamente, ta
lá o Pathó.
- Pathó, eu vou lhe mandar lhe
prender se você não parar de falar em galo aqui em minha casa. Pra você me
deixar em paz e pra quebrar teu galho, vai segunda- feira lá no Cartório que eu
te darei logo três galos no lugar desse teu! Por favor, não me amole mais., se
não tu vais pro xilindró!
O Juiz bate a porta outra vez.
Mais uma vez, o Pathó fica imóvel com atitude do magistrado, respira fundo e
bate de novo.
-Meritíssimo!Meritíssimo!
O Juiz já muito chateado abre a
porta pela terceira vez:
-Pathó, pelo amor de Deus, pára
de amolar!
E Pathó, puxando pelo seu
linguajar típico e sem deixar calar o doutor juiz terminar seu raciocínio,
solta o verbo:
-Meritíssimo, não é pelo valor
intrínseco do bípede, mas pela ousadia de um larápio, que ao transpor os
limites lineares da minha propriedade, furtou meu “Galinaço”, o qual seria
imolado na noite natalícia do meu primogênito!
Estraido Livro: Causos e Estorita
de Benjaminenses – 2007 Vol. 01
De:Gerso Luzeiro e Ruy Magalhães
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