Causos e Estoritas de Benjaminenses-“Ai, Juazeiro...Juazeiro ai...”. “Ai, Juazeiro... Juazeiro ai...”
| Long play de Luiz Gonzaga - Foto: Internet |
Seu Pedro Ângelo, contador
de várias histórias desde o tempo do “alto” sempre saia com as suas. Certo dia
relatou para os colegas a briga que teve com Dona Laura, sua esposa, lá na boca
do “Curuçá”, onde morou por vários anos antes de se mudar pra Benjamin. Nesse
dia ela tava com raiva de umas estripulias que ele tinha feito e soltando “fogo
pelas ventas” pegou sua coleção de vinil e sapecou pela janela afora.
Nisso, ao cair da noite, quando o “arranca
rabo” tinha acabado e o silêncio tomou conta do lugar, Pedro Ângelo, já
quase pegando no sono, ouviu uma modinha afamada no quintal:
- “Ai, Juazeiro...Juazeiro ai...”. “Ai, Juazeiro... Juazeiro ai...”.
Um forte arrepio tomou conta do
seu corpo e ele, pra enfrentar a viagem, benzeu, e criou coragem e perguntou:
- Quem pode mais do que Deus?
Ninguém respondeu.
Nisso, se tremendo todinho até o
pote, pegou um caneco de “flande”, bebeu água, pegou uma lanterna de três
elementos de cima da petisqueira, puxou o 128 - Terçado de fé, seu velho
companheiro e se preparou pra enfrentar o perigo.
Foi aí, que ele viu uma coisa
muito curiosa. Um dos discos que Laura tinha jogado, o do Luiz Gonzaga, tava
engatado no limoeiro. Quando o vento batia, o galho lá pra frente e o espinho
tocava o trecho “Ai Juazeiro...” Quando o vento pra, o galho voltava e tocava:
”Juazeiro ai...”
- “Né, Laura”?...
Extraído do Livro: Causos e
Estoritas de Benjaminenses (2007, vol. 1)
De: Gerson Luzeiro e Ruy
Magalhães
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