NOTA INFORMATIVA 001
MORTES E VIOLÊNCIAS NO ALTO RIO SOLIMÕES
Nós povos Indígenas do Alto Solimões, Ticuna, Kokama, Kaixana, Kambeba e Witoto, viemos através desta comunicar aos órgãos públicos e parceiros a grave situação dos povos da região do Alto Solimões. Após a realização do I Fórum Internacional Indígena: Segurança Pública, Justiça Social e Acordos de Paz em contexto de Fronteira, em junho de 2025 no município de Tabatinga, acontecimentos violentos dentro dos nossos territórios continuam e a atuação do Estado permanece lenta e omissa em alguns casos.
| @Divulgação |
Há 50 dias deste grande evento que articulou organizações indígenas de Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, parceiros, movimento indígena, indigenistas e órgãos públicos, os nossos territórios seguem sendo afetados pelas consequências do descaso do poder público em relação a segurança pública, contrabando e comercialização de álcool e drogas em terras indígenas, a ausência de uma política pública sobre saúde mental indígena, violência contra as mulheres e juventudes indígenas, fiscalização ambiental e territorial, no contexto da tríplice fronteira.
Enumeramos algumas situações que aconteceram nas nossas comunidades nos últimos 02 meses:
1. Notificamos dois suicídios na Terra Indígena de Umariaçu, nos dias 06/07 e 13/07 e três tentativas nos dias 13/07, 14/07 e 19/07, todos são jovens entre 15 e 21 anos. Ressaltamos que nem todos os casos são em consequência do uso de álcool e drogas, como constantemente os servidores da SESAI de Tabatinga fazem crer.
Com isso, questionamos a atuação do Distrito Especial de Saúde Indígena do Alto Solimões, que há mais de 06 meses tem os polos base de saúde de Umariaçu I e II, sem profissionais na área da psicologia. Exigimos que o DSEI convoque uma reunião com as lideranças indígenas organizadoras deste fórum para abordar específicamente a situação de saúde mental, que conte com a participação da SESAI Brasília e dos órgãos públicos competentes. Com objetivo de instaurar um Plano Emergencial de Saúde Mental Indígena focado exclusivamente nestes assuntos de saúde mental nos territórios. Apresente informações, escute e dialogue com nossas comunidades sobre este plano;
2. Registramos esfaqueamentos e espancamentos em brigas entre jovens na Terra Indígenas de Umariaçu e a comunidade de Belém do Solimões no dia 06/07 e 26/07;
3. Também registramos a tentativa de feminicídio contra a parenta do Umariaçu II que foi violentamente agredida no dia 19/07 na região dos olhos, cabeça, correndo sérios riscos de ficar cega. Logo depois de ir na UPA de Tabatinga, este mesmo serviço não encaminhou a vítima à Delegacia de Polícia. Entretanto, foi realizado o Boletim de Ocorrência com muita dificuldade e com a ajuda de não indígenas. Esta situação revela a distância entre os órgãos de segurança pública do nosso estado e as comunidades indígenas, tanto no atendimento quanto nas ações.
Nos solidarizamos ainda com as mulheres e as famílias da região do Alto Rio Solimões, que são vítimas de estupros, abusos, agressões e feminicídios, tal como o caso da mulher que no dia 02/08 foi assassinada pelo seu companheiro, no município de Tonantins. O sujeito acusado, acabou sendo queimado vivo na delegacia municipal, pela população local, como ato de vingança e de justiça;
5. Na semana do 16/07 houve um confronto entre piratas e traficantes no município de Tonantins, na frente de uma comunidade indígena, causando medo e insegurança em toda a população local.
6. Constatamos a presença de garimpeiros na beira do rio no município de São Paulo de Olivença. Inclusive, lideranças mulheres do povo Kambeba relatam que estão sofrendo constantemente ameaças por parte dos garimpeiros.
7. No dia 18/07 o jornal Samauma revelou a vulnerabilidade do sistema policial e judicial, ao expor o caso de uma mulher indígena Kokama que sofreu abusos sexuais por agentes policiais na delegacia de Santo Antônio do Iça, Amazonas.
8. No dia 09/08 ocorreu um homicídio na estrada de Limeira entre a comunidade de Umariaçu e comunidade Porto Nova Extrema. O desfecho aconteceu entre membros do mesmo povo Ticuna. Os envolvidos estavam sob o consumo de entorpecentes e bebidas alcoólicas, inclusive um deles era menor de idade e outro agente de saúde indígena do polo de Umariaçu II.
As situações que aqui relatamos, são terríveis, e percebemos que o Alto Rio Solimões não funciona nem na lei, nem na justiça! A inércia do poder público faz com que uma geração de crianças, adolescentes e jovens indígenas não consiga alcançar nem os 25 anos de idade.
As ações das autoridades públicas e a articulação dos diferentes órgãos e parceiros são urgentes! Exigimos que a justiça seja mais atuante nos municípios e que os órgãos de segurança façam seu papel de forma ética e responsável.
Assina,
Federação das organizações e dos caciques e comunidades organizações e dos caciques e comunidades indígenas da tribo Ticuna - FOCCIT
Federação indígena do povo Kukama Kukamiria do Brasil Peru e Colômbia - TWRK
Projeto AgroVida
Segurança Comunitária Umariaçu - SEGCUM
Comunidade Indígena de Umariaçu I
Associação de Caciques Indígenas de São Paulo de Olivença - ACISPO
Associação das Mulheres Indígenas Ticuna - AMIT
Articulação de Mulheres Indígenas Kokama do Amazonas - AMIKAM
Associação Associação dos Witoto do Alto Solimões – AWAS
Organização dos Povos Indígenas Kaixana de São Francisco de Tonantins – OPIKT
Organização dos Kambeba do Alto Solimões – OKAS
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Escreve para foruminternacionalindigena@gmail.com ou manda uma mensagem de whatsapp +55 19 9921 02497
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