Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira foram as quatro escolas a desfilar neste domingo
16/02/2026 | 07h36
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Alex Ferro | Riotur

A primeira noite de desfiles no Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí, neste domingo (16), foi marcada por homanagens ao presidente Lula (PT) e ao cantor Ney Matogrosso, além de exaltações à cultura negra do Rio Grande do Sul e do Amapá. Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira foram as quatro escolas a desfilar.
As quatro escolas cruzaram a avenida dentro do tempo máximo de 80 minutos.
O segundo dia dos desfiles na Sapucaí, que acontece entre segunda e terça, vai contar com apresentações de Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. Já o terceiro dia, na noite de terça-feira (17) e madrugada de quarta (18), terá Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro na avenida.
Acadêmicos de Niterói abre desfiles com homenagem a Lula
A escola de samba Acadêmicos de Niterói abriu a noite com um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe do Executivo compareceu acompanhado da esposa, Rosângela da Silva (Janja), e do prefeito Eduardo Paes, em meio a debates sobre a possibilidade de a apresentação ser interpretada como propaganda eleitoral antecipada.
A primeira-dama Janja, Eduardo Paes, Lula e Alckmin na Sapucaí. Foto: João Salles | RioturEm uma rápida passagem pela avenida, Lula acenou ao público e cumprimentou os componentes da escola, seguindo depois para o camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro. Durante o desfile, espectadores entoaram seu nome.
Atual campeã da Série Ouro, a agremiação estreou no Grupo Especial com o enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”. A proposta utilizou símbolos de resistência do Nordeste para contar a história do presidente. Em vez de uma narrativa linear, a escola apostou em metáforas para sensibilizar jurados e plateia. Entre os participantes estavam os atores Paulo Vieira e Dira Paes.
Foto: Alex Ferro | RioturO elemento central do enredo foi o mulungu, árvore do semiárido que floresce com cores intensas mesmo em condições adversas. Para a escola, a planta simboliza a resiliência de Lula e, de forma mais ampla, do povo brasileiro.
Carro mostra “Bozo” preso e com tornozeleira eletrônica. Foto: Luiza Monteiro | Riotur
Carro mostra “Bozo” preso e com tornozeleira eletrônica. Foto: Luiza Monteiro | RioturA apresentação percorreu momentos marcantes da vida do presidente, como a infância no Nordeste, a migração, o trabalho como operário e a atuação sindical, destacando a luta por direitos trabalhistas. A chegada à Presidência foi retratada como resultado de um movimento coletivo.
(Foto: RioTur)Imperatriz conta a história de Ney Matogrosso
A Imperatriz Leopoldinense, terceira colocada em 2025, foi a segunda escola a se apresentar no domingo. A escola apresentou uma homenagem ao cantor Ney Matogrosso com o enredo “Camaleônico”.
(Foto: Bianca Santos | Riotur)Muito aplaudido e dançando no alto do último carro alegórico, Ney Matogrosso usou figurino verde e dourado, foi referenciado e levantou a Sapucaí. A agremiação mostrou o cantor como um artista que cultua a liberdade e enfrenta a caretice, por meio de suas canções e performances. Na comissão de frente, truques de ilusionismo permitiram a troca de figurinos em segundos.
(Foto: Alexandre Macieira | Riotur)Com calangos iluminados por milhares de pontos de leds, o carro abre-alas mostrou as transformações camaleônicas de Ney e trouxe também uma escultura do artista. A imagem impressionou por simular o corpo elástico e o olhar sedutor do homenageado. Canções como “Rosa de Hiroshima”, “Balada do Louco”, “Mulheres de Atenas” e “Homem com H” foram retratadas em alas da escola. Em tom de deboche, os “homens com H” vieram vestidos de cangaceiros cor-de-rosa, com direito a meia-calça arrastão.

Na ala “Pro Dia Nascer Feliz”, o cantor Cazuza, um grande amor de Ney Matogrosso, foi homenageado em um estandarte carregado pelos foliões. A apresentação coreografada da bateria, a emoção de vários integrantes da agremiação, carros super-iluminados, cores tropicalistas e a velha-guarda com estampas de artistas que inspiraram Ney foram outros destaques.
(Foto: Alexandre Macieira | Riotur)Portela exalta cultura afro-brasileira do Rio Grande do Sul
Escola com maior número de títulos no carnaval do Rio de Janeiro, a Portela foi a terceira a desfilar neste domingo, com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.
(Foto: Clara Radovicz | Riotur)O desfile foi uma referência à cultura afro-gaúcha e fez uma homenagem ao Príncipe Custódio, figura histórica entre seguidores de religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul, estado com maior percentual de adeptos da umbanda e do candomblé do Brasil, segundo o IBGE.

A comissão de frente trouxe representações dos orixás, com foco em Exu Bará. Em uma inovação na Sapucaí, um integrante da escola passou pela avenida em pé em cima de um drone.
( Foto: Alex Ferro | Riotur)
( Foto: Alex Ferro | Riotur)Mangueira celebra a ‘Amazônia negra’ em homenagem ao Amapá
Última a desfilar no domingo, a Estação Primeira de Mangueira apresentou o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. Mestre Sacaca foi uma referência dos saberes afro-indígenas no Amapá e completaria 100 anos em 2026.
(Foto: Alex Ferro | Riotur)
(Foto: Alex Ferro | Riotur)A comissão de frente representava os povos e as forças ancestrais. Em um ritual de saudação à natureza, o grupo invocava o xamã Babalaô, que se manifesta em sua forma encantada, o Mestre Sacaca.
(Foto:Alex Ferro | Riotur)Ao fim do desfile, um carro alegórico da escola bateu na base do monumento da Praça da Apoteose. A Mangueira, porém, concluiu o desfile dentro do prazo.
(Foto:Alex Ferro | Riotur)
(Foto: Alex Ferro | Riotur)Por:ICL Noticias
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