Leandro Lozada/AFP

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em sua participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, neste fim de semana, deu sinais de entreguismo e alinhamento aos interesses dos Estados Unidos contra a soberania brasileira. O senador defendeu o fornecimento de minerais críticos do Brasil ao governo de Donald Trump, e a classificação de facções criminosas como terroristas, o que especialistas classificam como risco à soberania brasileira.
No discurso nos Estados Unidos, parlamentar afirmou que o Brasil pode ser “a solução” para reduzir a dependência americana da China em terras-raras. “O Brasil é a solução da América (Estados Unidos) para quebrar a dependência da China em minerais críticos, especialmente terras raras”, disse Flávio Bolsonaro.
A declaração foi alvo de críticas de usuários e políticos nas redes sociais, que enxergam uma postura de submissão aos interesses dos Estados Unidos. A fala de Flávio Bolsonaro ocorreu no mesmo discurso em que pediu “monitoramento internacional” das eleições brasileiras.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), afirmou que episódios como esse mostram que adversários do governo não recuam de posições que classificou como prejudiciais ao país. “Os vendilhões da pátria não tomam jeito”, escreveu nas redes sociais.
O ministro Guilherme Boulos (PSOL-SP) disse que a fala do senador representa “o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui”. Segundo ele, Flávio Bolsonaro teria se comprometido publicamente a entregar recursos estratégicos do país em troca de apoio externo. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou o senador de “traidor da pátria” e “vendilhão de Trump”.
Os minerais críticos são essenciais para a produção de tecnologias como baterias, turbinas e equipamentos eletrônicos, e hoje os chineses dominam grande parte da cadeia global de produção e processamento.
Flávio Bolsonaro volta a defender classificação de facções como terroristas pelos EUA
No mesmo discurso, Flávio voltou a defender a designação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
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“Ele (Lula) fez lobby com certos conselheiros dos EUA para impedir os dois maiores cárteis de drogas do Brasil de serem classificados como organizações terroristas. Sim, mesmo de acordo com um artigo do New York Times, o presidente do meu país pressionou a América para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo, lavam dinheiro, e exportam armas e drogas para os EUA e o mundo”, disse Flávio Bolsonaro.
A eventual designação das facções como terroristas pelos Estados Unidos é vista por especialistas como um potencial risco à soberania brasileira. O promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público de São Paulo, Lincoln Gakiya, criticou a medida em entrevista à Agência Brasil.
“Vamos abrir um flanco para que, no futuro, possa haver algum tipo de operação militar secreta, da CIA [Agência Central de Inteligência] ou de forças especiais [estadunidenses], na fronteira ou mesmo dentro do território brasileiro”, declarou o promotor.
Segundo o promotor, para ser classificado como terrorismo, um ato criminoso violento tem que ter uma motivação ou objetivo ideológico, como os crimes de ódio contra raças, etnias ou religiões ou os praticados por razões políticas.
“A gente não vê estas características nem no PCC, nem no CV, que são organizações criminosas do tipo mafioso […] com atuação transnacional; formação empresarial; infiltração nos poderes do Estado, com a corrupção de agentes públicos; dominação territorial, dentre outras características [típicas de organizações mafiosas]”, completou.
Por:ICL Noticias
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