Negociação começa a ser realizada em viagem de Padilha à OMS; ideia é equipar regulação de bets ao cigarro

O governo brasileiro vai propor que a OMS (Organização Mundial da Saúde) trate as casas de apostas e seu impactos para a saúde da mesma forma que, há duas décadas, lidou com o tabaco. Nesta semana em Genebra, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, começou uma articulação internacional para propor que uma resolução seja elaborada. A meta, segundo o ICL Notícias apurou com exclusividade, é de conseguir apoio suficiente para colocar limites para publicidade e promoção das bets.
O processo na OMS exige meses de trabalho e, na avaliação do governo, a costura deve levar à apresentação de uma resolução que seria aprovada no início de 2027. Conversas foram realizadas já com o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, nos últimos dias.
Nesta semana, o governo ainda irá realizar uma reunião para apresentar aos demais países e entidades de saúde a experiência brasileira com o tema.
“Queremos pautar internacionalmente esse tema”, afirmou Padilha em entrevista ao ICL Notícias. “Queremos discutir medidas regulatórias”, explicou o ministro, que participa da Assembleia Mundial da Saúde.
Uma das ideias é de que a OMS ajude a financiar estudos e que um projeto de regulação seja construído.
Segundo Padilha, o caminho proposto pelo Brasil é a repetição da receita que conseguiu barrar e modificar a publicidade sobre cigarro no mundo. “O que mudou o tabaco foi restringir espaço e publicidade, inclusive no esporte”, disse o ministro.
Hoje, um dos maiores patrocinadores do futebol é o setor de apostas. Se a resistência promete ser intensa, Padilha lembra que o tabaco também era o maior patrocinador da F1 e de outros esportes.
“Vamos fazer o primeiro evento sobre o tema. É a primeira vez que o tema chega à OMS e a ideia é construir uma resolução com outros países”, disse.
Uma das conversas foi realizada com o Reino Unido, uma espécie de capital mundial de casas de apostas. “Eles se mostraram interessados”, indicou Padilha.
Brasil apresenta seu modelo
Durante a semana, o Brasil irá apresentar seu modelo para lidar com as bets e a forma pela qual o Ministério da Saúde passou a se envolver diretamente no fenômeno.
Para Padilha, trata-se de ”um grave problema de saúde pública”. “Eu defendo que a gente trate o problema das bets como a gente tratou o problema do cigarro, enfrentando o problema da publicidade”, disse o ministro.
Uma das medidas foi identificar atitudes de compulsão por parte de brasileiros, com um teleatendimento em saúde mental. “Se as bets estão chegando às pessoas, queremos que o atendimento também chegue”, explicou.
Segundo o ministro, 400 mil brasileiro ainda optaram pela auto-exclusão, um sistema pelo qual o jogador de apostas pode bloquear o próprio acesso a esses sites e plataformas. Ao ser registrado o CPF da pessoa, o jogador não consegue nem apostar e não recebe publicidade.
“O que identificamos é que 60% desses 400 mil são associados a sofrimento mental”, completou Padilha.
Por:ICL Noticias
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