Em nota, defesa de Thiago Ávila diz que irá recorrer; detenção foi autorizada por mais seis dias

O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, atendeu ao pedido das autoridades locais e prorrogaram a detenção dos ativistas Thiago Ávila e Saif Abu Keshek por mais seis dias, até domingo, 10 de maio de 2026, às 9h.
Os dois homens lideravam uma flotilha que tentava chegar até Gaza para a entrega de ajuda humanitária. No final da semana passada, a missão foi interceptada. Centenas de tripulantes foram desembarcados na ilha de Creta, na Grécia, e enviado a seus respectivos países. Já os líderes foram enviados para Israel. O governo brasileiro falou em “sequestro” e pediu que Avila seja liberado imediatamente.
Um comunicado da defesa do brasileiro explicou que, até agora, nenhuma denúncia formal foi apresentado. Ele está sendo interrogando, enquanto Israel insiste que sua atividade estaria relacionada com grupos terroristas. As advogadas do ativista rejeitam qualquer ligação com grupos radicais.
De acordo com as advogadas de defesa, o juiz Yaniv Ben-Haroush, do Tribunal de Magistrados, aprovou o pedido para a prorrogação da detenção, em parte com base em provas secretas que nem os ativistas nem seus advogados tiveram permissão para analisar.
“Crucialmente, o tribunal concedeu a prorrogação integral de seis dias solicitada pelo Estado, sem impor quaisquer limitações ou restrições judiciais ao período de interrogatório”, explicou.
Para as advogadas, “a decisão do tribunal de prorrogar a detenção de ativistas humanitários sequestrados em águas internacionais equivale à validação judicial da ilegalidade do Estado”.
A defesa irá recorrer imediatamente ao Tribunal Distrital para contestar essa decisão e exigir a libertação imediata e incondicional de Thiago e Saif.”
Durante a audiência, as advogadas da Adalah, Hadeel Abu Salih e Lubna Tuma, argumentaram que as alegações contra eles “são infundadas e que não há fundamentos legais para a sua detenção contínua”.
“A Adalah esclarece que nenhuma acusação formal foi apresentada e que a detenção se dá para fins de interrogatório em curso”, afirmou a nota.
“Durante uma audiência anterior, o procurador-geral de Israel apresentou uma lista de supostos crimes, incluindo auxílio ao inimigo em tempo de guerra, contato com um agente estrangeiro, filiação e prestação de serviços a uma organização terrorista e transferência de bens para uma organização terrorista”, explicou.
A equipe de defesa enfatizou que não há nenhuma ligação entre o fornecimento de ajuda a uma população civil por meio de uma flotilha humanitária e qualquer “organização terrorista”.
Outro ponto destacado é a distância em relação ao local da prisão e Israel. “A Adalah argumentou ainda que, como os ativistas foram sequestrados a mais de 1.000 quilômetros de Gaza e não são cidadãos israelenses, a legislação israelense não se aplica a eles”, disse.
Pressão
De acordo com o comunicado, os ativistas permanecem em isolamento total, submetidos a iluminação intensa 24 horas por dia, em suas celas, e mantidos com os olhos vendados sempre que são transferidos, inclusive durante exames médicos.
“ Ambos os ativistas continuam sua greve de fome, consumindo apenas água desde a madrugada de quinta-feira, 30 de abril, em protesto contra seu sequestro e tratamento desumano”, anunciaram.
Por: ICL Noticias
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