Operação Fluxo Oculto mira lavagem de dinheiro e combustível fraudado


Ação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em quatro estados

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O Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal realizam na manhã desta quinta-feira (28) uma nova fase da Operação Carbono Oculto. A operação busca desmantelar fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

A ação, batizada de Fluxo Oculto, cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A operação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

Entre os endereços que são alvo da operação é a rua Joaquim Floriano, no bairro do Itaim Bibi, perto da Faria Lima, na capital paulista. O endereço também foi alvo da operação Carbono Oculto em agosto em 2025. Os principais alvos são empresários, operadores logísticos e laranjas do esquema.

Na cidade de São Paulo, são cumpridos 21 mandados. O estado também tem alvos no Arujá; Atibaia, Barueri; Itupeva; Jardinópolis; Mogi das Cruzes; Paulínia; Rafard; Santos; São José do Rio Preto; Sorocaba e Votorantim. Nos outros estados, há mandados para seis cidades diferentes: Iguatemi (MS); Belo Horizonte; Nova Lima (MG); Casvavel (PR); Paranavaí (PR) e Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, seis fintechs atuavam como “bancos paralelos” de uma organização criminosa ligada ao mercado de combustíveis. O esquema criminoso continuou mesmo após outras fintechs serem alvos da operação anterior, segundo informações preliminares.

As investigações apontam, ainda, que as empresas formariam um núcleo financeiro usado para compensações internas entre distribuidoras e postos. Elas também fariam movimentações entre empresas e fundos de investimento, além de pagamentos a colaboradores e despesas pessoais de operadores do esquema, segundo o Ministério Público de São Paulo.


Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. (Foto: Divulgação/MP-SP)

As seis instituições teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, segundo a Receita Federal, com depósitos em espécie e abertura de contas em outras instituições de pagamento. Uma das empresas teria recebido mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024.

Três dessas empresas informaram à Receita Federal a movimentação de cerca de R$ 8 bilhões de janeiro a dezembro de 2025. Outras três serão autuadas por não entregar a declaração obrigatória.

As iinvestigações também apontam transações de ao menos R$ 365 milhões com criptoativos ligadas às instituições de pagamento investigadas.
‘Máfia do nafta’

A operação também mira suspeitos de adulteração de combustível com uso de nafta (um solvente) e o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos. Os investigadores identificaram uma estrutura de falsificações, com supostas vendas de solventes para empresas-fantasma.

Segundo as investigações, os criminosos abriam série de empresas em diferentes estados para simular a compra de solventes, que seriam desviados para São Paulo. Em dois anos, a fraude envolvendo a nafta petroquímica causou sonegação de R$ 200 milhões em tributos, de acordo com a Receita Federal.

Quatro fundos de investimento com patrimônio somado de R$ 205 milhões são investigados por suposta participação no esquema ligado ao desvio de nafta. Em pouco mais de um ano, essas empresas tiveram aumento patrimonial superior a 200%, segundo o MP-SP.




Por: ICL Noticias

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