Nova estratégia de combate ao terrorismo coloca o Hemisfério Ocidental no centro das atenções

Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voa para os EUA, o governo de Donald Trump anuncia uma nova estratégia antiterrorista e define a eliminação dos cartéis de drogas no Hemisfério Ocidental como a maior prioridade do governo.
Num documento de 16 páginas publicado nesta quarta-feira, Trump indica que sua meta no combate ao terrorismo deixou o Oriente Médio e será focada na região.
O anúncio ocorre às vésperas do encontro com Lula, na Casa Branca nesta quinta-feira. O tema do combate ao crime organizado será um dos pontos centrais da conversa entre os dois presidentes. O Brasil, porém, dirá que não existem terroristas no país e que o crime organizado não pode ser tratado dessa maneira.
Numa proposta, Lula vai defender a cooperação entre Brasil e EUA para combater o “andar de cima” do crime, fechando a torneira para a lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
Mas, no documento publicado por Trump, a visão é radicalmente diferente.
“Continuaremos nossas campanhas militares e policiais contra todos os cartéis e gangues designados como organizações terroristas pelo Presidente”, afirmou a nova estratégia.
“Ao mesmo tempo, continuaremos a visar suas finanças e cadeias de suprimentos de insumos para paralisar seus meios de produção e a movimentação de lucros”,disse.
“Faremos isso em conjunto com os governos locais, quando estiverem dispostos e aptos a trabalhar conosco”, indicou.
Ele ainda faz um alerta a quem não quiser colaborar. “Se não puderem ou não quiserem, ainda assim tomaremos todas as medidas necessárias para proteger nosso país, especialmente se o governo em questão for cúmplice dos cartéis”, ameaçou.
“Sob a presidência de Trump, os Estados Unidos continuarão a desmantelar as redes de cartéis e a interromper seus fluxos de recrutamento e financiamento até que sejam neutralizados e os regimes que os ajudaram não possam mais fazê-lo”, completou.
No texto, o governo ainda mistura críticas contra os democratas e faz alertas para a região.
“A administração Trump é, em grande parte, definida por um retorno ao bom senso, que dita que algumas coisas são mais importantes que outras e que, quando se trata de geografia, algumas regiões são mais importantes que outras”, disse, sinalizando uma prioridade para a América Latina.
“Compreendendo a carnificina incalculável causada pelos cartéis contra americanos durante décadas, especialmente durante os anos de Biden, com suas políticas de fronteiras abertas, em seu primeiro dia de volta ao cargo, o presidente Trump designou os cartéis e gangues que inundam os Estados Unidos com drogas, armas e imigrantes ilegais como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs)”, explicou.
“O presidente determinou que esse problema seja combatido utilizando todos os recursos do governo para garantir que alcancemos nosso objetivo de enfraquecer e eliminar os cartéis e sua capacidade de impactar a segurança nacional dos Estados Unidos”, disse.
De acordo com a estratégia, o presidente autorizou dezenas de ataques do Departamento de Guerra contra embarcações de narcotráfico de cartéis, “resultando em uma redução de mais de 90% no contrabando marítimo de drogas para os Estados Unidos”.
Vínculo entre cartéis latino-americanos e jihadistas
Segundo a estratégia, “a integração dos esforços de combate aos cartéis e ao terrorismo permite que os EUA desmantelam as redes, o financiamento e as rotas logísticas compartilhadas utilizadas tanto por traficantes de drogas quanto por terroristas islâmicos”.
No texto, o sequestro de Nicolas Maduro é apresentado como um exemplo.
“Numa missão exemplar de Operações Especiais em apoio às forças de segurança federais, o líder ilegítimo da Venezuela, um chefe de cartel em conluio com o Irã, patrocinador do terrorismo, e seu aliado Hezbollah, foi detido e trazido aos Estados Unidos para responder por seus crimes contra americanos”, anunciou.
“As ligações entre os cartéis e o terrorismo jihadista estão enraizadas nas enormes receitas do narcotráfico que financiam organizações terroristas e redes criminosas transnacionais, permitindo suas operações contra os Estados Unidos”, alegou.
Para ele, a Operação Resolução Absoluta (que prendeu Maduro) “comprova que o “Corolário Trump”, o projeto para uma Doutrina Monroe moderna, já é uma realidade em nosso hemisfério”.
“Não permitiremos que cartéis, jihadistas ou os governos que os apoiam conspirem contra nossos cidadãos impunemente. Terroristas de qualquer tipo não encontrarão refúgio seguro aqui em casa nem nos atacarão do exterior”, escreveu Trump no documento de 16 páginas.
Sebastian Gorka, o czar antiterrorismo da Casa Branca que liderou a nova estratégia, disse que a mudança de prioridades reconhece uma matemática simples: muito mais americanos foram mortos por cartéis que distribuem drogas ilícitas em comunidades dos EUA do que militares americanos mortos em conflitos ao redor do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, afirmou.
“Seja estrangulando seus fundos ilícitos, seja rastreando seus barcos de drogas, não permitiremos que eles matem americanos em larga escala”, disse Gorka.
Por: ICL Noticias
Comentários
Postar um comentário