Nas redes, 84% criticam tarifaço e ataque ao Pix feito pelos EUA; maior parte associa a Flávio


O apelido “Tariflávio” aparece como síntese dessa associação, com a leitura de que ele teria criado ou agravado um problema diplomático


Monitoramento feito pelo analista de redes Pedro Barciela mostra o impacto da proposta de tarifaço e das ameaças ao Pix feitas pelo governo dos Estados Unidos na pré-campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro. O senador do PL é alvo de críticas e visto como alguém que apoia as medidas impopulares. A análise leva em conta 535 mil citações no X, Instagram, Facebook e Tik Tok.

No geral, o levantamento de Barciela aponta que 84% das publicações são potencialmente negativas para a taxação, tema que aparece diretamente ligado à Flávio Bolsonaro. Inclui os temas que associam Flávio ao “Tariflávio”, à pressão contra o Pix, à submissão a interesses dos EUA, ao prejuízo ao Brasil, à defesa do Pix como patrimônio nacional e ao possível desgaste eleitoral da direita.

47% culpam diretamente Flávio Bolsonaro e/ou o clã Bolsonaro pelo tarifaço. Os demais 53% se dividem entre defesa do Pix sem necessariamente apontar culpado direto, explicações técnicas, responsabilização de Lula/STF ou menções neutras/informativas.

Também entram as menções que tratam a taxação como ataque ao país, às empresas brasileiras e à soberania. Apenas 11% são menções potencialmente positivas para a taxação (e Flávio), rejeitando a culpa de Flávio, atribuindo a medida a Lula, ao Supremo Tribunal Federal, a Alexandre de Moraes, à corrupção, à censura ou ao desmatamento, além de conteúdos que dizem que Flávio poderia negociar com Trump e evitar prejuízos ao Brasil.

O centro da reação nas redes está no Pix, aponta Barciela. Em 24% das publicações os usuários tratam o Pix como uma conquista nacional, gratuita, pública e amplamente usada pela população, associando sua defesa à proteção da soberania econômica do Brasil. O tema aparece em frases como “O Pix é nosso”, “O Pix é do Brasil e do povo brasileiro” e na ideia de que o sistema reduziu custos para consumidores, pequenos negócios e pessoas antes excluídas dos bancos.

O argumento de que o sistema brasileiro concorre com cartões, meios privados de pagamento e eventuais projetos como WhatsApp Pay, reduzindo taxas cobradas de consumidores e comerciantes está presente em outros 13% das publicações.

Já outros 22% vinculam a visita de Flávio Bolsonaro aos EUA, sua foto com Trump e suas declarações posteriores à proposta de tarifa de 25% e à pressão contra o Pix. O apelido “Tariflávio” aparece como síntese dessa associação, com a leitura de que ele teria criado ou agravado um problema diplomático e comercial para o Brasil.

Outros cerca de 17% focam na subserviência do clã Bolsonaro aos EUA. Usam expressões como “traidores da pátria”, “Bolsonaros inimigos do Brasil” e “entregar o país”, relacionando o episódio a soberania, minerais, terras raras, petróleo, empresas brasileiras e interferência externa.

Por outro lado, 11% rejeitam a narrativa contra Flávio e afirmam que a investigação da Seção 301 já existia ou que a proposta ainda passaria por etapas técnicas. Outros 5% discutem ainda questões técnicas da proposta dos EUA e analisam os impactos nos setores citados no documento.

A composição da conversação apresenta o quão reativo foi o bolsonarismo/oposição ao longo das últimas 24h: apenas 14% das interações estiveram nesse grupo, contra 52% de interações no agrupamento antibolsonarista. A abordagem dessa parcela se aproxima do cluster de imprensa que, por sua vez, detém 30% das interações. Os não-polarizados somaram cerca de 3%.




Por: ICL Noticias

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