Consulado dos EUA em São Paulo reúne influenciadores anti-Lula em meio à escalada da tensão entre Washington e Brasília
Encontros promovidos pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo com influenciadores alinhados à oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a ser vistos, nos bastidores do governo federal, como mais um movimento da ofensiva política de Washington sobre o cenário eleitoral brasileiro.
As reuniões acontecem em um momento de agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e são interpretadas por integrantes do Palácio do Planalto como parte de uma estratégia da direita internacional para fortalecer a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
Segundo relatos, o Consulado norte-americano tem convidado influenciadores conhecidos por fazer oposição ao governo Lula para encontros em grupos reduzidos com o tema “liberdade de expressão e ambiente digital”.
Uma das participantes foi Maria Fernanda Schmidt, apresentadora do canal Brasil Paralelo. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou ter participado de uma dessas reuniões na última semana.
“Foi uma excelente oportunidade para compartilhar com os diplomatas os desafios enfrentados por influenciadores, jornalistas e produtores de conteúdo no ambiente digital, em um diálogo enriquecedor sobre os rumos da liberdade de expressão no Brasil”, escreveu.
A jornalista aparece em uma fotografia ao lado de outros participantes, entre eles Leandro Narloch, Rafael Ferri e Penélope Nova, nomes ligados ao ecossistema digital da direita e frequentemente críticos ao governo Lula.
Em seu canal no YouTube, o jornalista Leandro Demori afirmou que outros influenciadores identificados com a ultradireita também foram convidados para novas rodadas de conversas organizadas pelo Consulado dos Estados Unidos.
Pressão dos EUA sobre o Brasil
Os encontros ocorrem em meio a uma sequência de iniciativas do governo Donald Trump relacionadas ao cenário político brasileiro.
Reportagem da Agência Pública revelou que a Embaixada dos Estados Unidos procurou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), para articular uma agenda dos integrantes do Departamento de Estado Riley Bernes e Samuel Samson, órgão comandado pelo secretário de Estado Marco Rubio.
Os dois tiveram os pedidos de visto negados pelo Consulado do Brasil em Washington após informarem que pretendiam se reunir com aliados de Flávio Bolsonaro e discutir o processo eleitoral brasileiro, incluindo temas ligados às urnas eletrônicas e à liberdade de expressão.
De acordo com o Itamaraty, a justificativa oficial da missão era estabelecer contatos sobre o ambiente eleitoral brasileiro e promover debates sobre liberdade de expressão.
A movimentação ocorre enquanto Washington amplia a pressão sobre Brasília. Nesta quarta-feira (29), o governo Trump prorrogou por mais um ano as sanções contra o Brasil com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
No documento, a Casa Branca voltou a sustentar a narrativa de que Jair Bolsonaro, seus familiares e apoiadores estariam sendo vítimas de perseguição política no Brasil.
“O governo brasileiro também está perseguindo politicamente um ex-presidente, sua família e seus seguidores, contribuindo para o deliberado colapso do Estado de Direito, para a intimidação motivada politicamente e para violações de direitos humanos”, afirma o texto divulgado pelo governo norte-americano.
Nos bastidores do Planalto, a sequência de iniciativas do governo Trump — que inclui contatos com parlamentares da oposição, tentativas de articulação política e reuniões com influenciadores críticos ao governo — é interpretada como uma escalada da interferência dos Estados Unidos no debate político brasileiro.
Por:Diariodocentrodomundo
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