Diretora da Fiesp diz ser contra fim da escala 61 para ir ao salão

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Declaração feita durante debate no Senado viralizou nas redes sociais e provocou reação da deputada Erika Hilton.

A diretora-executiva jurídica da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luciana Nunes Freire, afirmou ser contra o fim da escala 6×1 ao argumentar que a redução da jornada de trabalho poderia comprometer o funcionamento de serviços aos fins de semana, como salões de beleza, supermercados e farmácias.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (1º), durante debate promovido pelo Senado sobre a sobre a PEC 221/2019, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e prevê dois dias de descanso por semana.

"Eu trabalho cinco por dois e, aos sábados, qualquer mulher que está nesse plenário, que está no centro urbano ou que está numa comunidade, vai ao salão de cabeleireiro. E vai estar fechado aos sábados para nos atender? Aos domingos eu abasteço o supermercado, eu busco comida para minha família, eu compro remédio para minha mãe. Vai estar tudo fechado aos domingos para mim? É certo isso?."




A fala repercutiu nas redes sociais e foi criticada pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), autora da proposta que extingue a escala 6×1. Para a parlamentar, a diretora da Fiesp interpretou de forma equivocada o conteúdo da PEC, que reduz a jornada de trabalho, mas não determina o fechamento do comércio ou de serviços aos fins de semana.


"Uma mulher acaba de dizer em pleno Senado que é contra o fim da escala 6×1 porque ela, que faz escala 5×2, faz cabelo e compras aos sábados e as pessoas precisam trabalhar para ela."






Deputada criticou argumento usado por diretora da Fiesp contra o fim da escala 6×1.Reprodução / X

Erika também direcionou críticas ao cargo ocupado por Luciana na Fiesp. Para a deputada, a fala da diretora-executiva da entidade expõe a distância entre parte do empresariado e a realidade dos trabalhadores submetidos à escala 6×1.

Debate sobre o fim da escala 6×1

A audiência pública reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo, de centrais sindicais e parlamentares para discutir os impactos econômicos e sociais da redução da jornada de trabalho.

Durante o debate, representantes da indústria, do comércio e dos transportes argumentaram que a medida pode elevar os custos das empresas, reduzir a competitividade e afetar setores que dependem de funcionamento contínuo.

Já representantes dos trabalhadores defenderam que a redução da jornada contribui para a qualidade de vida, a saúde física e mental dos empregados e pode ser adotada sem interromper as atividades econômicas, desde que haja reorganização das escalas de trabalho.

A PEC 221/2019 prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, além da ampliação do descanso semanal. O texto não determina o fechamento do comércio ou de serviços aos fins de semana.

Caso seja aprovada, caberá às empresas organizar as escalas de seus funcionários, respeitando os novos limites de jornada previstos na legislação.




Por: Congresso em Foco

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