O México confirma primeiro contato com Keiko Fujimori: "Não queremos a ruptura das relações"


A presidente mexicana Claudia Sheinbaum informou que o ministro das Relações Exteriores de seu país conversou diretamente com o presidente peruano. Os dois governos iniciaram um diálogo para normalizar as relações diplomáticas, que foi interrompido desde novembro de 2025.

Imagem
Durante sua coletiva de imprensa matinal, a presidente revelou que o ministro das Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, teve uma conversa direta com o chefe de Estado peruano.


A presidente do México, Claudia Sheinbaum, confirmou na quarta-feira que seu governo já estabeleceu um primeiro contato oficial com a presidente do Peru, Keiko Fujimori, com o objetivo de avançar na normalização das relações diplomáticas entre os dois países.

A presidente liderou a primeira reunião de seu Gabinete no Palácio do Governo junto com o chefe do Conselho de Ministros, Luis Galarreta. O Executivo assegurou que as primeiras ações visarão fortalecer a segurança dos cidadãos e atender às prioridades do país.

Durante sua coletiva de imprensa matinal, a presidente revelou que o ministro das Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, manteve uma conversa direta com o chefe de Estado peruano, que assumiu o cargo em 28 de julho para o período de 2026 a 2031.

"O ministro das Relações Exteriores conversou pessoalmente com o presidente do Peru e estamos avançando", disse Sheinbaum.

O presidente mexicano evitou comentar sobre sua ausência na cerimônia de transferência em Lima, que contou com a presença de vários chefes de Estado e representantes internacionais, mas garantiu que sua administração está em negociações com o novo governo peruano.


"Não queremos a ruptura das relações", disse ele.
O México mantém sua posição

Durante seu discurso na quarta-feira, Sheinbaum reiterou que seu governo continua solicitando que a ex-primeira-ministra Betssy Chávez possa receber um salvo-conduto para viajar ao México e lembrou que a posição de sua administração em relação a Pedro Castillo não mudou.

"Obviamente, queremos que a pessoa que está em nossa embaixada, que hoje não está protegida pelo Brasil, receba salvo-conduto para vir ao México", disse o presidente.

Sheinbaum destacou que Keiko Fujimori "sabe que temos uma posição relacionada ao presidente Castillo e que é uma posição que estabelecemos, mas que, além disso, obviamente, não queremos a ruptura das relações. Então, nesse contexto, estamos conversando e espero que em breve possamos dar mais notícias."

Apesar das diferenças, ambos os países continuam a compartilhar espaços de integração regional, como a Aliança do Pacífico, enquanto as negociações entre Lima e Cidade do México buscam abrir uma nova etapa na relação bilateral sob o governo de Keiko Fujimori.
O contexto da crise

A relação entre Peru e México começou a se deteriorar após a crise política de 7 de dezembro de 2022, quando o líder do golpe Pedro Castillo anunciou a dissolução do Congresso, a reorganização do sistema judiciário e o estabelecimento de um governo de exceção, medidas consideradas pelas instituições peruanas como uma tentativa de romper a ordem constitucional.

Horas depois, o Congresso declarou a vaga presidencial devido a incapacidade moral permanente e Castillo foi preso pelas autoridades quando seguia para a Embaixada do México em Lima.

Desde então, o governo mexicano – primeiro liderado por Andrés Manuel López Obrador e depois por Claudia Sheinbaum – manteve uma postura crítica contra as decisões adotadas pelas autoridades peruanas e expressou seu apoio ao ex-presidente em várias ocasiões, considerando que ele enfrentava perseguição política.

A tensão diplomática aumentou em novembro de 2025, quando o governo mexicano concedeu asilo político à ex-primeira-ministra Betssy Chávez, que está sob investigação e processada pelo sistema judiciário peruano por sua suposta participação na tentativa de golpe atribuída a Pedro Castillo.

O México pediu ao Peru que concedesse salvo-conduto para que Chávez pudesse deixar o país e viajar para território mexicano. No entanto, o governo peruano rejeitou esse pedido sob o argumento de que o ex-chefe do Gabinete deveria responder à justiça peruana.

Como resultado, em 3 de novembro de 2025, o Peru anunciou o rompimento das relações diplomáticas com o México, considerando que a decisão de conceder asilo constituiu interferência nos assuntos internos. Desde então, ambos os países suspenderam seus laços diplomáticos.


Por: peru21.pe

Comentários