Bolívia denuncia sequestro do procurador-geral Roger Mariaca após sanções do governo Trump

Procurador-geral Roger Mariaca/@Divulgação


Roger Mariaca foi detido no aeroporto de Viru Viru, em Santa Cruz, junto com o procurador departamental Alberto Zeballos. Autoridades ainda não esclareceram oficialmente os motivos da operação

O procurador-geral do Estado da Bolívia, Roger Mariaca, foi detido na noite de quarta-feira (30), no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz. O procurador departamental de Santa Cruz, Alberto Zeballos, também foi detido durante a operação. A informação foi confirmada por uma fonte do governo boliviano à agência AFP.

A detenção ocorreu poucos dias depois de o governo dos Estados Unidos anunciar a revogação do visto de Mariaca, em meio a acusações de corrupção e supostos vínculos com atividades relacionadas ao narcotráfico. O procurador negou as acusações e afirmou que a medida representava pressão política sobre o Ministério Público boliviano.

Inicialmente, integrantes do Ministério Público boliviano classificaram a ação como um “sequestro” e denunciaram uma suposta operação ilegal. Em transmissão ao vivo realizada a partir de Sucre, funcionários da instituição afirmaram que policiais também haviam entrado nas instalações da Procuradoria-Geral.

Até o momento, as autoridades bolivianas não divulgaram oficialmente os motivos das detenções, a existência de ordens judiciais ou o destino para o qual Mariaca e Zeballos foram levados. A polícia também realizou operações nas instalações da Procuradoria-Geral em Sucre e na Procuradoria Departamental de Santa Cruz.

Sanções dos Estados Unidos

A detenção acontece três dias depois de Washington anunciar restrições contra funcionários bolivianos. No caso de Mariaca, o Departamento de Estado dos EUA o acusou de ter solicitado e recebido propinas para facilitar atividades de narcotráfico e ajudar criminosos a escapar da Justiça.

Mariaca rejeitou as acusações e declarou que continuaria conduzindo as investigações do Ministério Público. Entre os casos sob sua gestão está uma investigação envolvendo o consultor argentino Fernando Cerimedo, além de apurações relacionadas ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset.

A coincidência entre as sanções anunciadas pelos Estados Unidos e a operação realizada na Bolívia passou a ser um dos principais pontos de atenção do caso. Até agora, porém, nenhuma autoridade confirmou oficialmente que os dois acontecimentos estejam relacionados.

Caso ainda está em desenvolvimento

A situação permanece em atualização. O governo boliviano anunciou que deverá prestar esclarecimentos sobre a operação, enquanto o Ministério Público cobra informações sobre a base legal das detenções.

A expectativa é que as autoridades esclareçam quem determinou a operação, quais são as acusações contra os procuradores e se as detenções fazem parte de uma investigação mais ampla envolvendo narcotráfico, corrupção ou outros crimes.




Por: Nailson Tenazor/Jambo Verde

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