Uma revelação publicada pelo portal ICL Notícias nesta quarta-feira (4) trouxe à tona uma informação que reacende a discussão sobre a condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia da Covid-19.
Segundo a reportagem, em um dos períodos mais críticos da crise sanitária no Brasil, quando hospitais enfrentavam a falta de oxigênio, vacinas e equipamentos essenciais para salvar vidas, o governo Bolsonaro teria tentado negociar a venda de respiradores para outros países.
A iniciativa teria sido articulada pelo Ministério das Relações Exteriores, comandado na época por Ernesto Araújo, que acionou dez embaixadas brasileiras para identificar governos, hospitais e empresas interessados na aquisição dos equipamentos.
A ordem foi enviada em 17 de junho de 2020, mesmo dia em que o Brasil registrou 1.269 mortes por Covid-19 em apenas 24 horas. Naquele período, seis estados já apresentavam ocupação superior a 80% dos leitos de UTI.
Os documentos também revelam um cenário preocupante: até o final de maio daquele ano, apenas 1.612 dos 14,1 mil respiradores previstos em contratos federais haviam sido entregues.
A justificativa apresentada pelo Itamaraty era a possibilidade de a produção nacional superar a demanda interna. Entretanto, os telegramas não apresentavam estudos ou projeções que comprovassem a existência desse excedente.
Outro detalhe chama a atenção: desde abril de 2020, uma lei sancionada pelo próprio Bolsonaro proibia a exportação de respiradores e outros equipamentos médicos durante a emergência sanitária, salvo exceções autorizadas e desde que não prejudicassem o atendimento à população brasileira.
Os documentos não comprovam que os respiradores tenham sido efetivamente vendidos ou enviados ao exterior. Entretanto, demonstram que houve mobilização diplomática para buscar compradores internacionais enquanto o Brasil enfrentava uma grave crise hospitalar.
A revelação reacende o debate sobre as decisões tomadas pelo governo Bolsonaro durante a pandemia e sobre as prioridades adotadas em um dos momentos mais dramáticos da história recente da saúde pública brasileira.
Por: Nailson Tenazor/Jambo Verde Notícias

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