Em carta aos 193 países, secretário-geral da ONU aponta falta de dinheiro para implementar programas

Sem recursos dos EUA e com dezenas de governos atrasados em suas contribuições obrigatórias, a ONU vive sua pior crise. Nesta sexta-feira, numa mensagem enviada a todos os países, o secretário-geral da entidade, António Guterres, alertou que a instituição corre o risco de um “iminente colapso financeiro”.
A estimativa do português é que, sem novas contribuições, o dinheiro acaba em julho. Crises de liquidez não são novas na ONU e, nos últimos dois anos, a reportagem do ICL Notícias presenciou o corte de energia elétrica e mesmo do aquecimento nos prédios da entidade em Genebra, como forma de economizar recursos.
Agora, porém, Guterres alertou em uma carta aos 193 países que o cenário é de falência.
A crise ocorre num momento em que os EUA se retiraram de mais de 30 agências da ONU e se recusam a colaborar financeiramente com o orçamento regular da entidade. Washington ainda suspendeu 70% dos repasses para as tropas de paz. Em dezembro, o governo Trump prometeu que daria US$ 2 bilhões para as agências de ajuda humanitária da ONU, uma fração do que os EUA destinaram em 2022, com um cheque de US$ 17 bilhões.
Mesmo assim, a Casa Branca alertou que só irá enviar o dinheiro caso a ONU atenda aos objetivos e critérios de Trump. “Ou a ONU se adapta ou irá morrer”, alertou.
Por enquanto, porém, quem padece são as vítimas pelo mundo. No Afeganistão, a agência da ONU para Mulheres teve de fechar seus serviços no lugar com a maior taxa de mortalidade materna no mundo. Em dezenas de campos de refugiados, a ONU foi obrigado a cortar pela metade a comida destinada
Enquanto isso, Donald Trump anunciou a criação de seu Conselho da Paz, entidade que rivalizaria com a ONU e onde os membros terão de depositar US$ 1 bilhão para ter uma cadeira permanente.
O apelo, agora, é para que o restante da comunidade internacional se mobilize para salvar a ONU. Muitos governos europeus, porém, estão reduzindo de forma drástica seus orçamentos para ajuda humanitária e promovendo um incremento sem precedentes nos gastos militares.
Guterres, na carta, explicou que apenas 77% do total devido pelos governos foram pagos em 2025, deixando um valor recorde em aberto.
“Não posso enfatizar o suficiente a urgência da situação que enfrentamos agora”, disse. “A conclusão é clara”, escreveu Guterres. “Ou todos os Estados-membros honram suas obrigações de pagar integralmente e em dia – ou os Estados-membros devem reformular fundamentalmente nossas regras financeiras para evitar um colapso financeiro iminente”, disse.
Por:ICL Noticias
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