Estado chegou a 989 profissionais, mas associação de municípios aponta necessidade de dobrar o número para atender a demanda do interior

Programa foi criado em 2013, durante o segundo governo Lula, e foi recriado dez anos depois, em 2023, com o retorno do petista à presidência da República. No governo Bolsonaro, foi substituído pelo programa ‘Médicos pelo Brasil’ (HÉLVIO ROMERO/Estadão Conteúdo)
Desde a recriação, em 2023, o programa Mais Médicos ampliou em 169% a presença de profissionais no Amazonas. O estado é um dos que mais sofre para levar médicos ao interior, devido às distâncias e à baixa infraestrutura. Apesar do avanço, a avaliação é de que o número precisa dobrar para que todos os municípios tenham o quadro ideal.
Em 2022, durante o programa Médicos pelo Brasil, eram 377 profissionais atuando no Amazonas. Em 2023, o número mais que dobrou até chegar a 918. Em 2024, o total chegou a 957 médicos, consolidando o terceiro ano consecutivo de crescimento. Já em 2025, o número alcançou 989 profissionais.
O presidente da Associação Amazonense dos Municípios (AAM), Anderson Sousa, atribuiu o crescimento do número de médicos ao retorno de investimentos do governo federal no programa, que, segundo ele, ficou parado no governo anterior.
“O governo Bolsonaro tirou o Mais Médicos, que era aquele programa que o presidente Lula criou, e a Dilma manteve. Esse programa retornou e é muito importante. A questão de ter o pessoal trabalhando, dando essa assistência aos municípios, foi retirada na época. Na retirada dele, os municípios ficaram acéfalos”, disse.
Ele destacou que as oportunidades funcionam como uma via de mão dupla: atendem tanto os médicos, que precisam de oportunidades, quanto os municípios, que enfrentam dificuldades para manter esses profissionais atuando em áreas mais distantes.
“Antes, a gente tinha 500 médicos e chegamos a 600 médicos no interior. Na época que o presidente Lula criou o programa, a gente precisava muito dos médicos cubanos, porque não tínhamos tantos médicos no Brasil. Agora, temos muitos médicos e poucas oportunidades. E agora, quando se abre o edital para fazer o cadastramento, todo o interior dos estados, no Brasil inteiro, cadastra os médicos generalistas, no caso clínico geral, que é diferente dos especialistas, que também têm seu programa específico”, informou.
O presidente da associação afirmou que, com os novos programas, os municípios estão em busca de contratações de especialistas também, para tornar o interior mais preparado.
“Um exemplo é o Careiro Castanho, que abriu cadastramento para especialistas. A prefeitura criou o programa para médico especialista e está esperando a verba, pois, até o momento, está pagando com os próprios recursos”.
Apesar do crescimento, Sousa explicou que é preciso de mais mil médicos, ou seja, dobrar o atual número (989) para suprir a necessidade dos municípios.
“Em Tapauá, tinha vaga para três equipes e já está preenchido, mas o ideal, por conta das distâncias geográficas, seria 10 equipes. Rio Preto tem vagas para 12, tem 10 preenchidas, mas deveria ser 20”, informou.
Segundo a associação, cada médico é enviado ao interior em equipe, composta por dentista, enfermeiro, gerência e outros profissionais da saúde. Com as novas regras do governo federal, esses municípios também passaram a receber recursos para contratações, o que explica o crescimento das equipes.
Especialistas ainda fazem falta
O secretário de Saúde de Caapiranga (a 185 quilômetros de Manaus), José Orclanio Souza, informou que a cidade está entre as beneficiadas e voltou a contar com um quadro mais completo de médicos.
“O Mais Médicos começou aqui em 2014, com os médicos cubanos que vieram. Depois, teve uma mudança de governo e ficou um tempo parado. Agora que o novo governo assumiu, o programa retornou. Com isso, nós temos cinco novos médicos. Três deles trabalham na sede do município e os outros dois trabalham na zona rural”, contou.
Para ele, o Mais Médicos tem um papel essencial em garantir o funcionamento da saúde do interior de forma efetiva.
“Esse retorno do Mais Médicos, acredito que não só em Caapiranga, mas em todo o interior do Amazonas, como no Brasil todo, foi um projeto de grande importância na área da saúde. Fortaleceu a saúde do município. Hoje, temos um quadro de médicos muito bom, com profissionais excelentes, graças a esse programa”, informou.
Na quinta-feira (15), Caapiranga recebeu uma visita in loco de representantes do Ministério da Saúde para conhecer a realidade e também verificar o funcionamento das Unidades Básicas de Saúde.
O secretário ressaltou que a saúde pode se desenvolver ainda mais caso o programa para especialistas se estenda a todos os municípios do interior, evitando que a população gaste com transporte até a capital para realizar consultas com especialistas.
“O Mais Médicos vai se estender para o Mais Especialistas. Estão colocando nos municípios da região metropolitana, Itacoatiara, Parintins e Manaus. Então, possivelmente, eles vão estender também para o interior e, se tiver, isso vai melhorar muito a vida das pessoas do interior, que não vão precisar se deslocar para longe para ter acesso a especialidades”, destacou Sousa.
O secretário de Saúde de Boca do Acre, Manuel Barbosa, afirmou que o retorno do programa repara um problema que a maioria dos municípios distantes enfrenta: a falta de profissionais na área. “Eu acompanhei isso desde o início, a falta de médico, a dificuldade de levar médico para o interior do nosso estado, e eu lhe garanto que o programa Mais Médicos veio realmente para cobrir essa lacuna. Essa falta de médicos era muito vista, principalmente nas regiões de difícil acesso”.
Barbosa informou que agora o desafio é expandir a presença de especialistas no interior.
“Atualmente, em Boca do Acre, paga-se cerca de R$ 80 mil por um cirurgião, R$ 40 mil por um pediatra e, para manter um anestesista por 30 dias, o valor varia de R$ 150 mil a R$ 180 mil. Além disso, a maioria dos profissionais está concentrada nos grandes centros e nas capitais”, ressaltou o gestor.
Por: Acritica.com.br
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